Les ventes du 4ième Trimestre 2025




  Commençons par cette scène classique de la Crucifixion du Christ où Marie-Madeleine apparaît seule et agenouillée au pied de la Croix. C'est une composition  charmante et de bon goût.

La modestie de l'estimation fournie par la Maison de Ventes Artesia a attiré les Enchérisseurs et le Lot a été adjugé 600€ au marteau. Vous observerez la fente dans le bois qui parcoure le thorax du Christ. C'est un défaut quasi systématique sur ce type d'oeuvre qui traduit que le bois a été travaillé avant qu'il ne soit totalement sec. 

La vente s'est déroulée le 12 octobre 2025  au Château de Vayres dans la commune de St Georges Les Baillargeaux.

Nota Le descriptif attribue cette composition au siècle des Lumières, à mon avis il faut envisager le XIXe siècle.


Lot N°487

Crucifixion en bois sculpté composée du Christ en croix et de Marie-Madeleine agenouillée au pied de la croix. Cadre en chêne sculpté d'un rang de feuilles d'acanthe alternées et d'un rang de raies de cœurs. 

Époque XVIIIème 

Haut. : 71 cm Larg. : 46,5 cm


Estimation 250€-450€

Crucifixion en bois sculpté composée du Christ en croix et de Marie-Madeleine agenouillée au pied de la croix



 Ce Christ en ivoire de belle facture, livré avec son Certificat Intra Communautaire, a été adjugé 1 000€ au marteau, un prix réduit au regard de la qualité du travail de sculpture et malgré les dommages subis par la couronne d'épines. 

Les multiples brisures à la couronne d'épines sont inévitables tant ce type de couronne est d'une grande finesse. Je m'interroge depuis de longues années pour savoir comment l'Ivoirier parvenait à sculpter une couronne aussi fine que de la dentelle.

C'est à Bruges en Belgique le 15 octobre 2025 que la Maison de Ventes Carlo Bonte a livré aux enchères ce beau travail d'Ivoirier.

Nota Ce Christ en Ivoire est typique des productions dieppoises et/ou parisiennes de la fin du XIXe siècle. Nous sommes assez éloignés du XVIIIe siècle suggéré par le Rédacteur du descriptif.


Lot N°818

An ivory Corpus Christi, 18th/19thC, total H 60 cm - corpus H 30 cm (+)On a framed red velvet base.

(+) CITES certificate for commercial activities inside the EU, no. 2024/BE04215/CE           

Estimation 600€-800€


  • An ivory Corpus Christi
  • An ivory Corpus Christi
  • An ivory Corpus Christi




Ce Christ en ivoire est un mastodonte ce qui ne se perçoit pas à partir d'une simple image. 

Son poids n'est pas précisé mais il doit avoir franchi la barre des 10 Kilos avec une hauteur annoncée à 76 cm.

C'est la Maison de Ventes Veritas Art Auctionners qui l'a mis en vente à Lisbonne le 16 octobre 2025 accompagné d'une fourchette d'estimations assez démesurée. 

Le Christ n'a pas trouvé Preneur.

Bizarrement et alors qu'il y a consensus pour attribuer ce modèle de Christ en Ivoire à une colonie Indo-portugaise comme celle de Goa le Rédacteur du descriptif rejette cette opinion et attribue ce Christ en Ivoire à un Atelier Napolitain du XVIIIe siècle. 

Pour Information : Un Christ en Ivoire de la même veine, vendu à Barcelone en juillet 2022,  attribué à une Colonie Indo-portugaise, d'une hauteur tête-pieds de 51.5 cm a été adjugé 25 000€ au marteau ce qui est déjà une belle somme d'argent.


Lot N°642

Excepcional Cristo Crucificado em marfim

Cruz em ébano com terminais, resplendores e placa INRI em prata dourada 

Sem marcas portuguesas, ao abrigo do Decreto-Lei nº 120/2017, de 15 de Setembro - art. 2, nº 2, alínea c)
Itália, provavelmente Nápoles, c. 1700-1730
(pequenas faltas e defeitos)
76x 63 cm (Cristo)
119x82 cm (total)


Informação Adicional
Com certificado CITES nº. 25PTLX04466C

Proveniência:
Quinta das Areias, colecção da família Pereira Palha.


Considerado um material precioso desde a Antiguidade, o entalhe de marfim, após um declínio nos séculos XV e XVI, conheceu na Europa renovado brilhantismo nos séculos XVII e XVIII, impulsionado pelo recrudescimento do comércio e pela crescente disponibilidade de marfim africano de alta qualidade e de grandes dimensões (veja-se Schmidt, Sframeli 2013). Esculpida em marfim de elefante, esta monumental imagem de Cristo Crucificado foi executada em diferentes secções. A peça maior, aproveitando a curvatura natural da presa, compreende o corpo de Cristo - a cabeça com sua coroa de espinhos integral, as pernas e os pés. Os braços estendidos e em ângulo foram entalhados separadamente e fixados ao corpo através de modos tradicionais de assemblagem de madeira, em concreto a união de furo e respiga, sendo a parte saliente do cendal do lado esquerdo unida do mesmo modo. Representando com minúcia a ossatura, a musculatura e as veias de Cristo, o mestre entalhador recriou na perfeição o seu corpo no exacto momento da morte. A cabeça de Cristo inclina-se para a direita, tombando sobre o peito e repousando no ombro, com as pálpebras e a boca firmemente cerradas. Os dedos, ainda em parte contraídos, exprimem os últimos instantes de dor antes da libertação pela morte. O cendal ou perizonium, atado do lado direito de Cristo e adensado em profundas e abundantes pregas, enrola-se numa corda de largos e caprichosos laços e seus pingentes de borlas, sendo a fímbria rendilhada e vazada com extrema minúcia. Embora serena na expressão, a fisionomia de Cristo é bem vincada: as sobrancelhas ausentes, o nariz alongado, a barba entalhada em delicados caracóis e o cabelo representado quase que em mechas individuais. A coroa de espinhos estilizada e a corda enlaçada revelam um virtuosismo do entalhe em negativo que testemunha a superior mestria do entalhador. Também estilizadas são as grandes e invulgares chagas em forma de estrela nos joelhos e as veias salientes dos braços.
Apesar de representar Cristo Morto, esta nossa escultura combina dois tipos iconográficos concebidos em meados de Seiscentos pelo grande escultor italiano do Barroco pleno, Alessandro Algardi (1598-1654). Do Cristo Vivo de Algardi - também chamado tipo ‘Pallavicini’, criado nos primeiros anos da década de 1640 - a nossa peça retoma os braços estendidos e em ângulo, os dedos quase cerrados, o pé direito pregado sobre o esquerdo (um elemento muito invulgar nesta época) e o cendal esvoaçante cingido por uma corda sinuosa. Do Cristo Morto de Algardi (o tipo ‘Alamandini’), o entalhador adoptou apenas a inclinação da cabeça com a coroa de espinhos integral e a chaga aberta no peito. Ambos disseminaram-se rapidamente por toda a Europa, em modelos tridimensionais e em gravuras, mas foi o Cristo Vivo que se tornou o crucifixo barroco mais popular, inspirando versões nos mais diversos materiais (veja-se Mazzarelli 2013). A precisão anatómica do nosso marfim - em especial a caixa torácica, o modelado subtil dos mamilos, o talhe em profundidade da coroa de espinhos e da corda -, embora derivada dos protótipos de Algardi, recorda também a obra do entalhador francês Claude Beissonat. Provavelmente natural do Franche-Comté, Beissonat viveu em Espanha por volta de 1664, fixando-se depois em Nápoles, então sob domínio espanhol, onde inscreveu com o seu nome várias esculturas em marfim (veja-se Estella Marcos 2011). Diversas obras assinadas por ele conservam-se em Espanha, entre as quais dois Crucifixos que apresentam notáveis afinidades com a escultura aqui apresentada. O paralelo mais próximo é o Cristo Vivo da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madrid, uma imponente obra de 86,0 cm de altura incluindo a base e a cruz em ébano (veja-se Estella Marcos 1984, vol. 2, p. 71, cat. 104). Embora não se trate de uma escultura que possamos atribuir a Beissonat, este Crucifixo foi sem dúvida produzido na Itália de Setecentos, talvez em Nápoles, por um artista por certo influenciado pelo seu estilo e suas obras.
Uma maior estilização de certos elementos anatómicos, como as veias e as chagas em forma de estrela, bem como o decorativismo do cabelo ondulado, sugerem uma datação já setecentista. Uma análise atenta da gramatica ornamental usada na cruz reforça esta cronologia. Executada em ébano com simples modenaturas, apresenta elementos em prata dourada: terminais nas extremidades dos braços, um resplendor quadripartido na intersecção exterior de cada braço e um resplendor quadrado sobre a cabeça de Cristo. O resplendo é cinzelado com um friso de pétalas, enquanto os terminais vazados e recortados são polilobados e ricamente decorados com palmetas em forma de concha e enrolamentos de túlipas e outras flores estilizadas, e estreitas folhas de acanto. Os elementos em “C”, usados a par da gramática floral típica da Europa dos inícios de Setecentos - sobretudo em França durante a Régence (1715-1723) -, contrastam com o incipiente ornamento rocaille (c. 1710-1760) do titulum crucis. A tipologia e execução dos elementos em prata apontam também para uma origem napolitana, reforçando a atribuição quer da cruz quer da escultura em marfim ao mesmo centro de produção (veja-se Catello, Catello 1973). Um exemplar comparável, embora muito mais pequeno (26,5 cm de altura), no Victoria and Albert Museum, Londres (inv. A.20-1949), conserva grande parte da policromia e do douramento originais, tendo sido nos últimos anos erradamente identificado como indo-português (veja-se Trusted 2013, p. 379, cat. 375). Tal como o nosso Crucifixo, a cabeça de Cristo pende para o ombro direito, e está de olhos fechados, e com o pé direito pregado sobre o esquerdo. Não só a posição é idêntica, como o tratamento da corda, do cendal ondulante e das veias salientes revela afinidades notáveis. As grandes esculturas devocionais em marfim produzidas no virar do século XVIII têm despertado recentemente grande entusiasmo no mercado de arte. Em 2024, o Louvre adquiriu em leilão uma importante escultura em marfim (54,5 cm de altura) de Nossa Senhora da Conceição (inv. RFML.OA.2024.9.1), executada em Nápoles por Claude Beissonat. É previsível que o nosso monumental Crucifixo venha a suscitar idêntico interesse. Infelizmente, como tantas vezes sucede com obras-primas em marfim deixadas sem assinar, o nome do entalhador responsável por este extraordinário Crucifixo permanece desconhecido; a própria obra, porém, proclama a sua extraordinária maestria.

Hugo Miguel Crespo
Centro de História, Universidade de Lisboa

Bibliografia / Literature
Elio Catello, Corrado Catello, Argenti Napoletani dal XVI al XIX secolo, Napoli, Edizione d'arte Giannini, 1973; Margarita M. Estella Marcos, La escultura barroca de marfil en España. Escuelas europeas y coloniales, 2 vols., Madrid, Consejo Superior de Investigaciones Cientificas - Instituto Diego Velázquez, 1984; Margarita M. Estella Marcos, “Esculturas italianas de marfil en España de los siglos XVI al XVIII con nuevas noticias sobre Gualterio, Beissonat y Caffieri”, in Regine Marth, Marjorie Trusted (eds.), Sculpture Studies in Honour of Christian Theuerkauff, München, Hirmer Verlag, 2011, pp. 22-29; Carla Mazzarelli, “New documents for Algardi’s Alamandini ‘Crucifix’, ‘a beautiful and famous thing”, The Burlington Magazine 155 (2013), pp. 769-773; Eike D. Schmidt, Maria Sframeli (eds.), Diafane Passioni. Avori barocchi dalle corti europee (cat.), Firenze, Sillabe, 2013; Marjorie Trusted, Baroque & Later Ivories, London, Victoria & Albert Museum, 2013



Estimation 200 000€- 300 000€

  • Excepcional Cristo Crucificado em marfim
  • Excepcional Cristo Crucificado em marfim




Certaines oeuvres du XXe siècle transmettent une vision macabre de la Crucifixion.

 Exemple ce Christ, au corps en décomposition, présenté le 24 octobre 2025 par Art La Rosa un Opérateur de Ventes basé sur l'Ile de la Sicile. C'est un Christ attribué à Sergio VERGINELLI un sculpteur, médailleur et orfèvre né à Rome en 1941.

La mise à prix de ce Christ en argent doré à l'or 24 carats était fixée à 400€.


Lot N°68

SERGIO Verginelli ©  (1941)

Crocifissiones cultura placcata in oro
Cristo h cm 35
Sergio Verginelli. Multiplo n°44 con certificazione notarile. 

Scultura placcata in oro 24 ct  


  •  Crocifissiones cultura placcata in oro
  • Crocifissiones cultura placcata in oro



Rare par sa complexité et richement ornementé ce Crucifix-reliquaire en bronze doré a été mis aux enchères et adjugé 7 000€ au marteau par Me Herbelin à Chinon le 29 octobre 2025. 

Le Christ est accompagné de la Vierge et de Saint-Jean, de 2 Angelots portant des attributs de sa Crucifixion et d'une multitude de têtes d'Anges.


Lot N°119

Important crucifix-reliquaire en bois noirci et bronze doré. Croix aux extrémités fleuronnées avec Christ, titulus, crâne et ossements ; base architecturée avec la Vierge et saint Jean ainsi que deux angelots tenant l'échelle et la Sainte Éponge, réserves reliquaires, pieds en forme de têtes d'anges dans des volutes. Italie, XVIIème siècle  Haut. 91 cm - Larg. 40 cm  Quelques accidents et manques 


Estimation 1 000€ - 1 500€

La Crucifixion ATRIBUIDO A GIOVANNI ANTONIO BAZZI "IL SODOMA"



 Il fallait se rendre à Madrid le 4 novembre 2025 dans les locaux d'Ansorena pour découvrir, le cas échéant emporté, ce Tableau de le Crucifixion de belle qualité attribué à un peintre italien contemporain de Michel-Ange (1475-1564)

Les enchères se sont ouvertes à 6 500€ et se sont terminées à 12 000€ au marteau.

Rare témoignage : une étiquette ancienne apposée au revers du Tableau mentionne les précédents Propriétaires du Tableau


Lot N°117

ATRIBUIDO A GIOVANNI ANTONIO BAZZI "IL SODOMA"
Vercelli, Italia (1477) / Siena, Italia (1549)
"La Crucifixión"
Óleo sobre tabla.
En el reverso, adherido al soporte, informe expedido en 1974 por el Dr. Italo Faldi, de la Galeria Nazionale D'Arte Antica de Roma, en el que se justifica la atribución de la pintura. Antigua etiqueta en la que quedan recogidos los diferentes propietarios de la obra. Etiqueta de la Junta Delegada de Incautación, Protección y Salvamento del Tesoro Artístico.
 
Procedencia: Colección de los Marqueses de Grimaldi (1750-1859); Colección de María Josefa Gutiérrez-Maturana y Matheu-Arias-Dávila, Condesa de Albiz (hasta 1981); de ahí por sucesión hasta sus actuales propietarios.
 
Giovanni Antonio Bazzi, más conocido como “Il Sodoma”, es una de las figuras más representativas de la pintura sienesa, con un estilo que transita del Renacimiento al Manierismo. En su producción se aprecia la influencia de grandes maestros como Luca Signorelli y Rafael, practicando también la técnica del sfumato de Leonardo. En esta Crucifixión, atribuida al pintor por el Dr. Italo Faldi, tomó como fuente de inspiración un modelo de Miguel Ángel para elaborar la figura del Cristo y la pareja de ángeles que lo acompañan.
 
 Medidas 78 x 49,5 cm.


Estimation 9 750€ - 13 000€

A French Gothic bronze crucifix



Je peine à m'intéresser aux Christs d'époque romane et aux Christs d'époque gothique principalement pour leur manque d'expressivité aussi à cause de leur nombre qui me fait craindre que beaucoup d'entre eux soient des copies.

Ce Christ en bronze attribué au 12ème siècle français a été adjugé 17 000€ au marteau (21 420€ F.I.) par la Maison de Ventes Lempertz. Il est haut d'une vingtaine de centimètres. La vente s'est déroulée le 21 novembre 2025. 

Hormis que ce Christ ait été acquis auprès d'un Marchand d'Art qui expose dans les grandes Expositions Internationales on n'ignore tout de son parcours depuis le 12ème siècle. Les images visibles sur le site Internet de la Maison de Ventes révèlent un Christ dont la mise en oeuvre est assez élémentaire et présentant peu de détails. 


Lot N°572

                   A French Gothic bronze crucifix

Bronze, partially cast in the round; the shoulders, thorax, and loincloth are open at the back. Crowned figure of Christ crucified with four nails. Fully bearded, with long hair falling in two strands on each side. Around the broad crown of thorns are three foliate ornaments. Arms outstretched horizontally, with defined elbows. Engraved ribs and sternum, abdomen marked by an oval outline. Axially symmetrical loincloth draped over a broad cincture. Legs positioned parallel, feet resting on a formerly wedge-shaped suppedaneum, with a small old break at the bottom, pierced. Wear from handling, especially in the face. H c. 20, W 17.4 cm.
France, 12th C.

Provenance
Acquired in 2004 from Julius Böhler art dealers.

Literature
Cf. Peter Bloch, Romanische Bronzekruzifixe, Berlin 1992, VC 7, for the crucifix in Trier cathedral treasury.                 


Estimation 6 000€ - 8 000€

  •  A rare French gilt copper and champlevé enamel book or Evangeliary cover depicting the Crucifixion
  • A French Gothic bronze crucifix
  • A French Gothic bronze crucifix
  • A French Gothic bronze crucifix



 Guère plus récente que le Christ précédent cette plaque de reliure a été adjugée 30 000£ au marteau (38 400£ F.I.) par la Maison de Ventes Bonhams à Londres le 3 décembre 2025.

Cette plaque de reliure est très proche d'1 plaque  conservée au musée du Louvre avec une différence notable : sur cette plaque de reliure offerte par la Maison de Ventes Bonhams les têtes des personnages sont présentées en bas-relief.


Lot N°33

                  A rare French gilt copper and champlevé enamel book or Evangeliary cover depicting the Crucifixion
Limoges, circa 1190-1200
The figure of Christ in relief, flanked by the Virgin Mary on the left and Saint John the Evangelist on the right; with two angels flanking the cross at the top, and below the cross; the mounds below the cross invoke Golgotha, whilst the background is adorned with bands of colour and rosettes; the cross engraved with 'I.H.S. XPS'; Christ figure applied, heads of the angels, the Virgin and St John applied; losses to the enamel, 21cm high x 10cm wideFootnotes

Provenance

Charles André Stévenin (French, b. 1879, d. Argentina, 1968), probably from the collection with his first wife Marie-Louise Barbet (b. 1886, d. 1934) of the Barbet de Jouy family. Thence by family descent. Private Collection, Minneapolis, USA.

Exhibited:

Goldsmithing & Other Applied Arts, National Museum of Decorative Art, Buenos Aires, Argentina, September 1965, Cat. no. 12, collection of André Stevenin.

Limoges enamel book covers were crafted to protect bound biblical manuscripts, their brilliance, arguably, rivalling the illuminated pages they encased. The earliest recorded reference to a Limoges champlevé enamel, in fact, concerns a book cover. In a letter dated 1169 from a priest at Saint-Satur in England to the prior of the Abbey of St. Victor in Paris, the priest recalls a Limoges binding they had admired together (Abbé Arbellott).

The iconography of Limoges book covers is confined to two principal themes: the Crucifixion and Christ in Majesty. Surviving examples indicate that the Crucifixion most commonly appears on the front cover, while the reverse typically depicts Christ in Majesty. The present lot would originally have adorned a precious liturgical book and would probably have been paired with a representation of Christ in Majesty. 

Indeed today's example is characteristic of Limoges production at the end of the 12th and beginning of the 13th century in a number of ways. The structural composition and the colour palette, the reserved, punched and chased figures with heads applied separately and of classical type are typical of a small group of Limoges enamels produced around 1200.

Today's lot relates closely to other examples, two preserved in the Louvre (OA 10016- MRR 249), one in the Musée du Petit Palais in Paris illustrated in the recent publication on Limoges enamels by Antoine, GaboritChopin and Gauthier (loc. cit., VB, n°37), one in the Kier Collection and one from the Gillot collection (Christie's Paris, 4 March 2008, lot 222). These examples have the same blue background decorated with green crosses, turquoise horizontal bands, and touches of red and the four. 

However, as per today's example, the heads of the four figures on the sides are applied in relief (as is the figure of Christ as the Gillot example cited above) The five heads in the Keir collection are applied, while the one in the Louvre and Petit Palais have no applied relief. 

Related Literature

M. M. Gauthier, Emaux limousins champlevés des XIIe, XIIIe et XIVe siècles, Paris, 1950; E. Taburet-Delahaye, L'oeuvre de Limoges. Emaux limousins du Moyen Age, exh. cat. Paris, New York, 1995-1996, p. 280, no. 88; M.-M. Gauthier, É. Antoine, and D. Gaborit-Chopin (eds.), Corpus des émaux méridionaux. Tome II. L'apogée 1190-1215, Paris, 2011, pp. 207-211. M.-M. Gauthier, Les Reliures en émail de Limoges conservées en France : recensement raisonné in Humanisme actif: Mélanges d'art et de littérature offerts à Julien Cain, 2 vols., Paris, 1968, I, p. 285. M.-A. Carlier, Art du Moyen Age, XI-XIVé siècle, exposition 12 sept- 31 oct- 2012, Brimo de Laroussilhe, Paris, 2012, ill. 14, pp. 52-53.

Estimation 20 000£ - 30 000£

Christ en Ivoire  Attribué à Georg Petel



 Les Christs en Ivoire attribués au sculpteur allemand sont de plus en plus nombreux.  La tâche semble ardue mais un prochain jour je tenterai de les rassembler et de les comparer les-uns aux autres. On devrait avoir quelques surprises car à force d'attribuer des oeuvres en les rapprochant d'oeuvres elles-mêmes attribuées par rapprochement on s'éloigne de plus en plus du probable. Malheureusement au sein du Marché de l'Art il n'existe aucun contrôle, aucune régulation. Chacun est libre d'affirmer ce qu'il veut et de fixer le prix qu'il veut.

Haut de ses 55 cm ce Christ en Ivoire présenté par la Maison de Ventes Hampel basée à Munich a été adjugé 16 000€ au marteau le 4 décembre 2025. 

Nota Le descriptif qui accompagne le lot  évoque les larmes versées par le Christ comme un des arguments qui le rapproche de l'oeuvre de Georg PETEL. Un rapide coup d'oeil à ce  adjugé le 1er octobre 2017 à Saint-Germain-en Laye  montre que la représentation des larmes du Christ  n'est pas une caractéristique des seuls Christs sculptés par Georg PETEL.


Lot N°145

Georg Petel,

1601/02 Weilheim – 1634 Augsburg, zug.

KRUZIFIXMaße des Kreuzes:
Höhe: 90 cm.
Breite: 53,5 cm.
Maße der Skulptur:
Höhe: 55 cm.
Breite: 32,5 cm.
Frühes 17. Jahrhundert.

Beigegeben ein CITES-Dokument, Wien, 17. Februar 2025, gültig für kommerzielle Zwecke
in der EU.

Elfenbein, vollrund geschnitzt, gefüllte Öffnung im Hinterkopf zur Aufnahme eines Nimbus. Typus des „Crocifisso vivo“ mit nach links erhobenem Haupt und geöffnetem Mund, die Arme schräg nach oben ausgestreckt, den Körper leicht nach links gekrümmt, die beiden Beine leicht gekrümmt nebeneinander gesetzt und endsprechend dem Viernageltypus mit langen Nägeln jeweils am Kreuz verbunden. Montiert auf einfachem ebonisiertem Kreuz mit INRI-Schild am oberen Kreuzbalken.

Stilistisch ist das Kruzifix in die Nähe eines Elfenbein-Kruzifixes zu setzen, welches sich in Genua befindet (Feuchtmayr und Schädler 1973, Kat.Nr. 2), mit „GB“ (Georg Bethle) monogrammiert ist und einen spiegelverkehrten Aufbau im Dreinageltypus aufweist. Bemerkenswert ist in dieser Hinsicht auch die Tatsache, dass sich Georg Petel zwischen 1620 und 1624 in Genua aufhielt, wo seine Elfenbeinschnitzereien besonders gerühmt wurden. So berichtet Raffaele Soprani (Soprani 1674), dass Petel um 1622 nach Genua gekommen sei. Er hebt zwei besonders qualitätvolle Elfenbeinkruzifixe hervor, die für Francesco Zoagli entstanden seien und von unvergleichbarer Feinheit und Virtuosität seien. Von dem oben genannten Vergleichsstück nimmt Schädler an, dass es sich um eines dieser Kruzifixe handelt (vgl. Soprani 1674, nach Schädler, S. 210).

Typisch für Petel sind auch die plastische Darstellung der Tränen, die leicht verkrampften Finger, das durch die Nägel hochgezogene Fleisch, sowie das Gewand, welches sich der natürlichen Form des Elefantenzahnes anpasst und somit teils eng am Körper anliegt, auf der rechten Seite jedoch weit aufgebauscht erscheint. Weit weniger ausgeprägt sind diese stilistischen Besonderheiten bei einem Kruzifix zu sehen, welches bereits 1618/20 entstand, im Bayerischen Nationalmuseum aufbewahrt wird und dessen Autorschaft durch Petels Monogramm gesichert ist. Hier wird die gesamte Form noch mit einer gewissen Befangenheit behandelt: der Körper ist fast symmetrisch gestaltet, das Lendentuch liegt dem Körper additiv auf, statt sich organisch mit ihm zu verbinden, weder Adern noch Tränen, noch das über den Nägeln plastisch hochgedrückte Fleisch sind hier zu sehen. Folglich traten diese Merkmale erst im Zuge seiner Wanderung in die Niederlande, nach Paris und nach Italien zu Tage. Bildwerke hingegen, welche dem hier offerierten Christus chronologisch nachzuordnen sind, wie etwa das Kruzifix in der Schatzkammer der Residenz von 1625 – 1627 zeigen einen bis ins Extrem übersteigerten, qualvollen Ausdruck in Gesicht und Körper, sodass der angebotenen Skulptur eine Art Mittlerfunktion zweier Werkepochen zuzukommen scheint.

Das Objekt ist sicherlich nicht nur wegen seiner Größe, sondern auch aufgrund der genauen Beobachtung des Künstlers von musealer Qualität und kunsthistorisch von bedeutendem Interesse.

Literatur:
Vgl. León Krempel, Georg Petel 1601/02 – 1634. Bildhauer im Dreißigjährigen Krieg, Ausstellungskatalog, Haus der Kunst, München 2007.
Vgl. Karl Feuchtmayr und Alfred Schädler, Georg Petel 1601/2 – 1634, Berlin 1973.
Vgl. Raffaele Soprani, Le Vite De’ Pittori Scultori, Ed Architetti Genovesi. E de’ Forastieri, che in Genoua operarono. Con alcuni Ritratti de gli stessi, Genua 1674. (1460111) (13)



Estimation 18 000€ -24 000€

  • Cristo crocifisso in legno scolpito e dipinto Italia centrale XVII secolo
  • Christ en Ivoire  Attribué à Georg Petel



 C'est la Maison de Ventes Bertolami qui a présenté à Rome le 11 décembre 2025  ce Christ en bois polychromé dont l'iconographie est peu commune. Le Christ se tient en position frontale, la tête fortement inclinée. 

Haut de ses 41 cm et attribué à un Atelier de l'Italie centrale du XVIIe siècle il a été adjugé 550€ au marteau


Lot N°330

      Cristo crocifisso in legno scolpito e dipinto, Italia centrale, XVII secolo

Altezza x larghezza x profondità: 41,5 x 36,5 x 7,5 cm.
scultura raffigurante il Cristo crocifisso, realizzata in legno intagliato e policromato. Il corpo è lavorato con attenzione anatomica.         


Estimation 1 000€ -1 500€

  • Cristo crocifisso in legno scolpito e dipinto Italia centrale XVII secolo
  • Bernardo Strozzi 1581 Genova-1644 Venezia  Olio su rame



 Cette huile sur cuivre  est qualifiée d'oeuvre culturelle majeure en conséquence  elle est interdite de sortie du territoire italien. Elle est attribuée à un Peintre génois né à la fin du XVIe siècle qui l'aurait peinte au cours de la 2ième décennies du XVIIe siècle. Cette scène de la Crucifixion du Christ accompagné par la Vierge et par Saint-Jean a été adjugée 38 000€ au marteau.


Lot N°271

      Bernardo Strozzi 1581 Genova-1644 Venezia
Crocifissione


Descrizione
olio su rame
Largh. 41,5 - Alt. 55,5 cm


Provenienza
Collezione Viezzoli, Genova (quindi per eredità ai discendenti);
Collezione privata, Genova


Ulteriori informazioni
L'opera è soggetta ad Avvio di Dichiarazione di Interesse Culturale

Il rame di straordinarie dimensioni è noto alla critica come la ‘Crocifissione Viezzoli’ per essere appartenuto a Mario Viezzoli, secondo Mina Gregori ‘la massima e più sofisticata espressione del collezionismo genovese’ del secondo dopoguerra (M. Gregori, scheda lotto 478, in catalogo asta Cambi Old Masters, Genova 15 giugno 2022, p. 173).

“La composizione, essenziale e lirica nel contempo, si articola attorno alla figura del Cristo in croce, che si staglia davanti a un vasto quanto evocativo cielo ceruleo […]. Come ben sottolineava Zampetti (1949, p. 23), sembra quasi che questo sconfinato empireo sapientemente mosso da ricercate variazioni cromatico luministiche sia il “vero protagonista del quadro”. Al di sotto, in primo piano, a compimento dell’ideale piramide su cui è impostata l’opera emergono in forte contrasto la Madonna e San Giovanni Evangelista, i quali con gesti eloquenti ma non patetici enfatizzano la drammaticità della scena. Ciononostante è come se tutto fosse ovattato da una certa dolcezza dei sentimenti.” Queste parole, tratte dalla relazione storico artistica realizzata per la Soprintendenza Archeologica, Belle Arti e Paesaggio per la città Metropolitana di Milano da Federico Bassini, ben sintetizzano la poetica e le specificità di questo capolavoro di Bernardo Strozzi riferibile al secondo decennio del Seicento.
Nel 1611, reduce dei soggiorno milanese e libero di risiedere fuori dalle mura del convento, il giovane Cappuccino ha la possibilità di strutturare la propria attività artistica e dare avvio al proprio successo presso le ricche famiglie genovesi quali Doria, Centurione, Brignole, Raggi. Questo rame sembra infatti potersi ricondurre ad una committenza privata per la sua originalità iconografica, in cui il gruppo tradizionale della Crocifissione si staglia contro un cielo privo di profondità in cui le nuvole e gli azzurri sembrano riprodurre tessuti marezzati. Oltre alla novità compositiva sono le dimensioni uniche del supporto, straordinarie per una lastra di prezioso rame, a suggerire la specifica richiesta di un ricco e sofisticato committente. La scelta ha permesso alla tavolozza accesa e brillante e alle tinte fredde delle veloci pennellate di esserci restituite inalterate. Il rigido supporto ha fermato non solo la freschezza della resa pittorica ma addirittura l’impronta stessa del pollice dell’autore, facilmente individuabile lungo il margine destro della lastra.

Nella difficile ricostruzione dell’evoluzione del percorso artistico del Cappuccino è possibile collocare questo prezioso capolavoro allo stretto arco di anni tra il 1613 e il 1616 in cui l’artista, pienamente conscio delle proprie possibilità espressive rielabora in forme originali gli stimoli ricevuti dalla lezione senese di Pietro Sorri, delle cromie di Federico Barocci e dai chiaroscuri caravaggeschi (A. Marengo, A. Orlando, Una nuova identità per Bernardo Strozzi nato Pizzorno e divenuto Fra Antonio. I suoi anni ‘Genovesi’ (1582-1633), in Bernardo Strozzi 1582-1644. La conquista del colore, catalogo della mostra a cura di A. Orlando e D. Sanguineti, Genova 2019, p. 19-41, in particolare pp. 31,32). Avvicinabili alla Crocifissione Viezzoli sono infatti celebri tele dello Strozzi riferite dalla critica a quell’arco di tempo come le due pale con la Madonna del Rosario e santi della chiesa di Santo Stefano di Genova Borzoli e della chiesa di San Martino di Framura, in cui ritorna lo stesso cielo contrastato su cui si stagliano le figure dei protagonisti o il Compianto su Cristo morto dell’Accademia Ligustica e il Gesù e la Samaritana di collezione privata (D. Sanguineti, Il gioiello tra decoro e simbolo…Genova, 2001pp. p 28, fig. 10; A. Orlando in Bernardo Strozzi 1582-1644. La conquista del colore, catalogo della mostra a cura di A. Orlando e D. Sanguineti, Genova, 2019, n. 12, pp. 208-109) identici per gamma cromatica e uso plastico delle pennellate sfrangiate. In particolare il giovane corpo di Cristo, fine e drammatico allo stesso tempo, ripropone le fattezze di quello protagonista della tela del Museo dell’Accademia Ligustica dove l’etereo biancore del corpo e dei tessuti sono la nota caratterizzante della composizione.


Bibliografia
P. Zampetti, Inediti di Bernardo Strozzi, in “Emporium”, 109.1949, pp. 17-24; L. Mortari, Bernardo Strozzi, Milano 1966, p. 135, fig. 50; L. Mortari, Bernardo Strozzi, Roma 1995, p. 112, fig. 136 ; C. Manzitti, Bernardo Strozzi, Torino 2013, p. 114, n. 94. 

       

Estimation 40 000€ -50 000€

  • Bernardo Strozzi 1581 Christ en bois de buis sculpté
  • Christ en bois de buis sculpté



 On peut acquérir des Christs ou des Crucifixions dignes d'intérêt sans se ruiner. Des opportunités d'achat à moindre coût se présentent régulièrement  comme ce Christ en buis sculpté d'une seule pièce, haut de 34 cm. 

Il a été vendu à Nancy et adjugé 550€ au marteau le 11 décembre 2025 par la Maison de Ventes ALexandre Landre.


Lot N°207

     Christ en bois de buis sculpté. Travail du XIXe. H_34 cm

Estimation 100€ -150€

  •   MANIFATTURA SICILIANA DEL XIX SECOLO CRISTO
  • Christ en bois de buis sculpté



 Encore moins cher et pourtant très recherché ce Christ en bronze doré qui copie un modèle de Christ traditionnellement attribué à Giambologna ou à Della Porta a été adjugé 150€ au marteau le 12 décembre 2025.

Les Christs en bronze doré de ce type inondent le marché. Dans la majeure partie des cas ils sont attribués au XVIe/XVIIe siècle ce qui est rarement avéré. 

La modestie de l'adjudication vient du fait que la Maison de Ventes Benedetto Trionfante qui a adjugé ce Christ est sicilienne et qu'elle sait ce qu'elle adjuge  quand il s'agit de vendre une oeuvre produite par un atelier sicilien.


Lot N°379

             MANIFATTURA SICILIANA DEL XIX SECOLO
Cristo in bronzo dorato con croce in legno ebanizzato.
cm Alt. 26


Estimation 280€ -300€ (Base d'Asta € 100)

  MANIFATTURA SICILIANA DEL XIX SECOLO CRISTO



 Je remercie mon Ami polonais Tomasz pour m'avoir communiqué l'information de la vente aux enchères par la Maison Ostroya basée à Varsovie de ce très beau Christ en ivoire. 

La Croix atteint la hauteur de 1M35, sa qualité est remarquable tout autant que le Christ qu'elle arbore. 

Ce bel ensemble a été adjugé 12 000 zloties au marteau (2850€ env). 

La vente s'est tenue le 13 décembre 2025.

Lot N°254

            
KRUCYFIKS OŁTARZOWY, Hiszpania, XVIII w.

Kość słoniowa, drewno, snycerka, polichromia, brąz, złocenie, wys. 135 cm 

Estimation 30 000 zt -40 000 zt

  •  Lusíada - Arte Namban liga de cobre dourada
  • Lusíada - Arte Namban liga de cobre dourada
  • KRUCYFIKS OŁTARZOWY Hiszpania XVIII w



 C'est une exceptionnelle Croix reliquaire nippo-portugaise façonnée autour de 1600 qui termine cette courte revue des ventes aux enchères.

Certains descriptifs méritent qu'on les parcoure avec attention tant ils sont documentés. Le descriptif qui accompagne cette Croix Reliquaire est de ceux-là tant il est remarquable par sa précision.

C'est la Maison de Ventes Cabral Moncada basée à Lisbonne qui a présenté le 15 décembre 2025 cette Croix reliquaire et qui l'a adjugée 41 000€ au marteau. En suivant ce lien vous accéderez aux photos détaillées mises en ligne sur le site Internet de la Maison de Ventes


Lot N°131

            
Cruz-Relicário Lusíada - Arte Namban liga de cobre dourada decoração relevada com fundo lacado a negro: numa face "Cristo crucificado encimado por cartela com «Titulus Crucis» INRI e a Seus pés uma caveira e dois ossos cruzados"; noutra face "Nossa Senhora do Rosário encimada por coroa e ladeada por Anjos esvoaçantes e a seus pés um frade em adoração com inscrição AVE MAE R DEI"; todos os laterais com "Enrolamentos vegetalistas"; ambas as faces abrindo contendo no interior uma cruz/placa de metal dourado com uma cruz de folha de ouro encobrindo uma protecção com lacre de certificação das relíquias e diversas relíquias com a respectiva identificação manuscrita em tiras de papel vertente Nipo-Portuguesa - período Momoyama (1573-1615) falta da argola superior, algum desgaste no dourado, composição interior aparentemente alterada no século XIX com falta das divisórias originais Dimensões (altura x comprimento x largura) - 13,7 x 9,7 x 1,8 cm Notas: vd. CRESPO, Hugo Miguel - "Jóias da Carreira da Índia", Catálogo da Exposição. Lisboa: Museu do Oriente, 2014-2015, pp. 62 e 195, nº 110; e "São Roque Antiguidades - 2017", Catálogo. Lisboa: São Roque Antiguidades e Galeria de Arte, 2017, pp. 194-196, nº 153;
e RIBEIRO, José Alberto (coord.) - "Uma História de Assombro - Portugal - Japão - Séculos XVI-XX", Catálogo da Exposição patente na Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: DGPC - Palácio Nacional da Ajuda / Ministério dos Negócios Estrangeiros - Instituto Diplomático, 2018, p. 65.

Encontram-se Crucifixos-Relicários Namban no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, no Museu Victoria & Albert, em Londres, no Asian Civilisations Museum, em Singapura e no Museu Nacional de Tóquio, no Japão, assim como em várias coleções particulares portuguesas.

Esta rara cruz-relicário em shakudo, uma liga de cobre (com ouro, prata e arsénio), lacada a negro (urushi) e dourada a fogo, pertence a uma produção japonesa conhecida por sawasa. Possui duas tampas cruciformes, frente e verso, fundidas em relevo e finamente cinzeladas enfatizando os pormenores, articuladas na parte superior, em ambos as faces, por dobradiças internas, e fixas com parafusos nos braços da cruz. Na origem teria uma argola para suspensão no parafuso superior, e também pequenos compartimentos para receber relíquias.
Numa das tampas figura Cristo Crucificado com o titulum crucis acima e, a seus pés, um crânio humano e dois ossos cruzados simbolizando o Gólgota. A outra tampa apresenta a Nossa Senhora do Rosário com o Menino sobrepujada por uma coroa e ladeada por dois anjos voando por entre nuvens. Por baixo do crescente lunar da Virgem, encontra-se uma inscrição em latim,
em três linhas. Em letras capitais, lê-se: “AVE // MA[T]E- // R DEI”, ou, em tradução portuguesa “Salve, Mãe de Deus”. Sob a inscrição surge, proeminente, São Domingos de Gusmão (1170-1221), com seu hábito característico. A iconografia de Nossa Senhora do Rosário está profundamente ligada à Ordem dos Pregadores (dominicanos). Decorre da crença de que a Virgem Maria apareceu ao fundador dominicano em 1206, no Mosteiro de Nossa Senhora de Prouille, em França, e lhe entregou o rosário como instrumento de combate à heresia. Essa tradição consolidou o rosário como devoção central entre os dominicanos, que, ao longo da sua história, promoveram o seu uso e instituíram uma festa específica (7 de Outubro) para o honrar. A associação de uma cruz-relicário deste tipo à Ordem Dominicana é digna de nota e plena de significado, pois peças deste grupo surgem, em regra, ligadas aos jesuítas.
Merece menção também o interior, que alberga um receptáculo em forma de cruz, ao que tudo indica acrescentado no século XIX, preenchido com relíquias - todas identificadas, protegidas e com selo apostólico para autenticação.
Inspirada num protótipo ibérico, esta cruz-relicário - tal como os outros exemplares conhecidos que subsistem deste período pujante mas também turbulento da história religiosa do Japão - é um exemplo paradigmático da relação entre modelo e réplica, corporizando a circulação de objectos e de formas ao longo das rotas marítimas transcontinentais: uma viagem de tipologias artísticas que caracteriza os intercâmbios estéticos entre Portugal e a Ásia na Idade Moderna. Trata-se de uma produção rara e muito sofisticada de objectos religiosos e devocionais no âmbito da arte Nanban, expressão artística japonesa que, incorporando temas europeus ou cristãos (kirishitan), cativava tanto os nativos curiosos e cosmopolitas como os “Bárbaros do Sul” (Nanbanjin), em especial os portugueses estantes na Ásia. Servindo não apenas como foco para meditação e exercícios espirituais, mas também como contentor de raras e preciosas relíquias, o uso de tais crucifixos reflecte as práticas devocionais promovidas pela devotio moderna, movimento que chegou à Ásia com os ensinamentos e o proselitismo dos jesuítas. Produzidas, ao que tudo indica, numa única oficina, estes objectos destinavam-se, tudo leva a crer, a uma comunidade abastada de recém-convertidos japoneses, desejosa de ter nas mãos relíquias de santos longínquos com os quais se identificava, e cujas hagiografias constituíam pilares da sua instrução doutrinal ministrada pelos missionários jesuítas. Poderiam igualmente ter sido concebidas como ofertas diplomáticas de padres jesuítas a altos dignitários das cortes regionais japonesas que haviam conseguido converter, integrados no séquito de poderosos daimyo (senhores da guerra). Tais esforços de conversão prosseguiram até ao início das perseguições, em 1587, e ao martírio de Nagasaki, em 1597, prolongando-se até ao édito de 1614 e culminando com a expulsão dos portugueses em 1639. É, portanto, pouco provável que este tipo de produção tenha continuado para além do primeiro quartel de Seiscentos. Duas cruzes-relicário deste tipo pertencem à colecção do Victoria and Albert Museum, Londres (inv. 168-1886 e 200-1881).

1 No Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, existem também dois exemplares, um dos quais (inv. 6 Our), proveniente do Paço Episcopal do Porto, apresenta uma Nossa Senhora em adoração, encimada por sol flamejante e flores nos outros
braços da cruz, e uma longa inscrição mariana nos lados da cruz. O outro (inv. 102 Our),« adquirido em 1947, mostra Cristo Crucificado numa das faces e Nossa Senhora em adoração na outra, rodeada por ramos de ume em plena floração. O National Museum de Tóquio (inv. C- 1 Max de Bruijn, Johannes Bastiaan, Sawasa. Japanese Export Art in Black and Gold, 1650- 1800 (cat.), Amesterdão - Zwolle, Rijksmuseum - Uitgeverij Waanders, 1998, p. 24, cat. 29. 874) conserva um exemplar mais pequeno (7,9 x 3,9 cm), de execução muito mais simples -   com o monograma “IHS” dos jesuítas rodeado por alguns dos arma Christi numa das faces, e outros símbolos da Paixão e flores estilizadas de paulónia (ou árvore-da-imperatriz) na outra.
Um outro exemplar (15,0 x 11,0 x 2,5 cm) pertence hoje ao Asian Civilisations Museum, Singapura (inv. 2017-00943). Tal como um dos exemplares do museu do Porto, o de Singapura apresenta Cristo Crucificado num lado e Nossa Senhora no outro. Um exemplar muito bem preservado, pertencente a uma colecção particular portuguesa, mostra, numa das faces, a Virgem com o Menino. Outra cruz, também em colecção particular portuguesa, foi exposta pela primeira vez em 2014, lado a lado com uma cruz-relicário ibérica de prata, de forma idêntica.
2 A sua iconografia e motivos coincide exactamente com a da presente cruz, incluindo a inscrição em português. Um outro exemplar também idêntico (15,0 x 10,0 x 2,5 cm), pertencente à São Roque Antiguidades, difere apenas na decoração floral das laterais, onde se incluem flores de paulónia. Existem ainda outras cruzes, de construção distinta, com tampa de deslizar e aberturas vazadas, concebidas para permitir a contemplação das relíquias guardadas no interior. Um desses exemplares (14,0 x 9,7 x 1,2 cm), agora em colecção particular lisboeta, foi publicado em 2016. 3 Outro, de menores dimensões (8,3 x 5,6 x 0,8 cm), pertence a uma colecção particular portuguesa. Este pequeno grupo de cruzes-relicário, dotado de significado histórico-artístico e transcendência espiritual, testemunha a intensa actividade missionária no Japão do início do século XVII, nas últimas décadas do chamado “Século Cristão do Japão”. Duas cruzes deste tipo surgiram recentemente no mercado de arte. Antes desconhecida, a presente cruz vem acrescentar peso religioso e histórico ao conjunto, em particular pela associação aos
dominicanos e à sua presença na Ásia.
Hugo Miguel Crespo, Novembro 2025


Estimation 35 000€ -52 500€

  •  Lusíada - Arte Namban liga de cobre dourada
  • Lusíada - Arte Namban liga de cobre dourada


Publié le 08 Janvier 2026